O que é a integração Córtex e como funciona na prática
O Córtex é uma plataforma do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) que reúne dados de segurança pública de vários órgãos. A Monuv não tem integração direta com o Córtex. As câmeras conectadas à Monuv contribuem com o Córtex de forma indireta. Elas chegam lá por meio de programas públicos estaduais e municipais integrados à Monuv, que por sua vez têm acordo com o Ministério.
Na prática, o caminho tem três etapas. A câmera da empresa ou da central envia dados para a Monuv. A Monuv compartilha esses dados com o programa público do estado ou do município. O programa decide o que compartilhar com o Córtex, nos termos do acordo que firmou com a União.
Este guia explica o que é o Córtex e quem acessa a plataforma. Mostra também quais programas têm conexão documentada com ela e como uma central ou empresa participa.
O que é o Córtex do Ministério da Justiça
O nome oficial é Plataforma Integrada de Operações e Monitoramento de Segurança Pública. Segundo o Conselho Nacional do Ministério Público, ela serve à gestão e ao acompanhamento de operações de segurança pública.
A plataforma é coordenada pela Secretaria de Operações Integradas do MJSP. As regras de uso estão na Portaria MJSP nº 218, de 29 de setembro de 2021. Ela define o Córtex como sistema de informação para operações integradas.
Um dos usos mais conhecidos é a leitura automática de placas. A leitura de placas, ou LPR (do inglês License Plate Recognition), transforma a imagem da placa de um veículo em texto. Com isso, a placa pode ser cruzada com bases de dados públicas em poucos segundos, como descreve reportagem do ND+ de dezembro de 2025.
Córtex em números
O MJSP não publica um balanço oficial da plataforma. Dados obtidos por Lei de Acesso à Informação e publicados pelo ND+ em dezembro de 2025 indicam cerca de 26 mil câmeras integradas e 38 mil contas de usuário ativas. Em 2025, segundo a matéria, cerca de 60 mil acessos foram bloqueados.
Quem acessa o Córtex
O acesso é restrito. A página oficial do MJSP sobre o Córtex afirma que as funcionalidades são de uso exclusivo para a atividade-fim dos profissionais de segurança pública. Só agentes públicos autorizados, com perfil de acesso definido, operam a plataforma.
Pela Portaria nº 218/2021, os órgãos públicos que aderem precisam firmar um acordo de cooperação técnica, ou instrumento parecido, com a União. A adesão não tem custo, e o compartilhamento de dados entre os participantes é voluntário.
Outros órgãos também podem aderir por acordo. Em 2022, por exemplo, o CNMP, o Ministério Público Federal e oito Ministérios Públicos estaduais passaram a ter acesso à plataforma.
Para quem tem câmeras, o que importa é isto: empresas privadas não operam o Córtex e não se conectam diretamente a ele. A participação privada acontece por meio dos órgãos públicos que aderiram.
Como programas estaduais e municipais se conectam ao Córtex
Estados e municípios entram no Córtex por meio de convênio com o MJSP. Um exemplo é Piracicaba (SP): segundo a Prefeitura de Piracicaba, o convênio com o Ministério foi anunciado em 2022. A central municipal, com suas câmeras, passou a integrar a plataforma.
Entre os programas públicos integrados à Monuv, encontramos conexão pública documentada com o Córtex em dois casos:
- Smart Sampa (Prefeitura de São Paulo). Em janeiro de 2025, a Prefeitura de São Paulo informou um acordo de cooperação com o MJSP. O acordo permite a integração com o Córtex e o cruzamento das placas lidas com bases federais.
- Muralha Paulista (Governo do Estado de SP). Segundo reportagem da Agência Pública, o Estado firmou convênio com o governo federal em janeiro de 2023. O objetivo era receber informações do Córtex no programa. A mesma conexão é descrita pelo Brasil de Fato.
Para os demais programas integrados à Monuv, não encontramos documentação pública sobre conexão com o Córtex. É o caso do Bem-te-vi (SC), Hélios (MG), Câmera Interativa (BA), Olho Vivo (PR), Civitas e 190 Integrado (RJ) e SIM/RS. Isso não quer dizer que a conexão não exista, apenas que ela não está descrita em fonte aberta.
Integração Córtex e câmeras privadas: o papel da Monuv
A Monuv é uma plataforma de videomonitoramento em nuvem (VMS em nuvem) com inteligência artificial. VMS (do inglês Video Management System) é o software que reúne, grava e organiza as câmeras de uma operação. A Monuv conecta câmeras e gravadores de diferentes fabricantes, sem servidor local.
O papel da Monuv na segurança pública colaborativa é ser a ponte técnica entre as câmeras privadas e os programas públicos. Hoje, a Monuv é integrada a programas como:
- São Paulo: Smart Sampa (Prefeitura de SP) e Muralha Paulista (Governo do Estado de SP)
- Santa Catarina: Bem-te-vi (SSP-SC)
- Minas Gerais: Hélios
- Bahia: Câmera Interativa (SSP-BA)
- Paraná: Olho Vivo
- Rio de Janeiro: Civitas (Prefeitura do Rio) e 190 Integrado
- Rio Grande do Sul: SIM/RS (SSP-RS)
A lista cresce à medida que novos programas abrem a participação de câmeras privadas. A Monuv também tem integração direta com o Detecta e com o Hélios.
Algumas regras valem para todos os casos. A Monuv compartilha dados para apoiar a segurança pública, mas não recebe retorno dos programas. Os alertas gerados por esses programas ficam com os órgãos públicos e não chegam à Monuv nem a quem cedeu as câmeras.
O que as câmeras privadas entregam aos programas públicos
O dado mais comum nesses programas é a leitura de placas. A IA de leitura de placas da Monuv identifica a placa na imagem da câmera e envia a leitura ao programa público integrado. Quanto mais câmeras bem posicionadas, maior a cobertura que o programa tem nas ruas.
Para a câmera contribuir de fato, alguns cuidados contam:
- Posição e ângulo. A câmera precisa enxergar a via pública e a placa com nitidez.
- Câmera funcionando. Uma câmera sem conexão ou com a imagem obstruída não envia nada. O Conf.IA, da Monuv, avisa quando isso acontece. Em média, 1 em cada 4 câmeras tem algum problema.
- Regras de cada programa. Cada estado ou município define requisitos técnicos e o termo de adesão. No Bem-te-vi, por exemplo, a SSP-SC faz credenciamento aberto a pessoas jurídicas. O termo de cooperação vale 24 meses e não tem custo para o Estado.
Como uma central ou empresa participa
Para uma central de monitoramento ou uma empresa com várias câmeras, o caminho costuma ser este:
- Conectar as câmeras à Monuv. As câmeras e gravadores (DVR/NVR) existentes são conectados à plataforma, sem trocar equipamento.
- Ativar a leitura de placas nas câmeras voltadas para a via pública.
- Aderir ao programa público do seu estado ou município, conforme as regras de cada um.
- Ativar a integração da Monuv com o programa, para que as leituras sigam ao órgão público.
A partir daí, o compartilhamento com o Córtex, quando existe, é feito pelo próprio programa público. A empresa não precisa de acordo com o Ministério nem de acesso à plataforma federal.
O ganho para quem participa
Para a central, participar mostra ao cliente que as câmeras dele também contribuem com a segurança da cidade. Para a empresa, é uma forma de colocar a estrutura que já existe a serviço da segurança pública, sem custo extra de integração.
O ganho principal continua no dia a dia da própria operação. As mesmas câmeras servem à segurança do local, com alertas de IA, gravação em nuvem e controle de acesso por usuário e perfil. As integrações da Monuv com softwares de monitoramento e de portaria completam esse uso.
Perguntas frequentes
- O que é o Córtex do Sinesp? É a Plataforma Integrada de Operações e Monitoramento de Segurança Pública, do MJSP. Ela reúne dados de vários órgãos, como leituras de placas, e só pode ser usada por agentes públicos autorizados.
- Empresa privada pode se integrar diretamente ao Córtex? Não. Pela Portaria nº 218/2021, aderem ao Córtex órgãos públicos, por acordo de cooperação com a União. Câmeras privadas contribuem por meio de programas públicos estaduais e municipais.
- A Monuv tem integração direta com o Córtex? Não. A Monuv é integrada a programas públicos estaduais e municipais, e alguns deles têm acordo com o MJSP para se conectar ao Córtex.
- Quem recebe os alertas gerados pelas leituras de placas? Os alertas ficam com os órgãos públicos responsáveis por cada programa. Eles não chegam à Monuv nem a quem cedeu as câmeras.
- Quanto custa aderir a um programa público de monitoramento? O Bem-te-vi (SC) e o Câmera Interativa (BA) não envolvem pagamento entre as partes. Os custos da empresa são os da sua própria operação, como a plataforma de videomonitoramento.
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