O Muralha Paulista é o programa do Governo de São Paulo que reúne câmeras públicas e privadas numa só plataforma de segurança pública. Ele foi criado pelo Decreto estadual nº 68.828/2024 e é coordenado pela Secretaria da Segurança Pública (SSP-SP). O objetivo oficial é restringir a mobilidade criminal, ou seja, dificultar o deslocamento de quem comete crimes pelo estado.
Para isso, o programa usa operação em nuvem e inteligência artificial (IA) para analisar as imagens. Hoje são mais de 125,5 mil câmeras e sensores no estado, segundo dados da SSP no SBT News em setembro de 2026.
Neste artigo, você entende o que é o Muralha Paulista, como ele funciona, quem pode participar e como os dados são tratados. Se você já quer conectar suas câmeras, vá direto ao passo a passo da integração com o Muralha Paulista.
O que é o Muralha Paulista
O Muralha Paulista é uma rede estadual de videomonitoramento voltada à segurança pública. Ele junta câmeras de prefeituras, órgãos públicos, empresas e moradores num ambiente único, gerido pelo Estado.
O Decreto 68.828/2024 define três diretrizes para o programa:
- Apoio com informação às políticas de segurança pública do estado.
- Restrição do acesso criminal à infraestrutura logística paulista, como rodovias e vias de grande circulação.
- Compromisso com a proteção de dados pessoais, seguindo a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).
A ideia por trás do programa é simples. Antes, cada câmera ficava isolada no próprio sistema, sem conversar com nenhuma outra. Com o Muralha Paulista, câmeras de origens diferentes passam a contribuir para o mesmo objetivo, num modelo conhecido como segurança pública colaborativa.
Como funciona o Muralha Paulista
O funcionamento do Muralha Paulista pode ser resumido em quatro etapas:
- Conexão das câmeras. Prefeituras, órgãos públicos, empresas e pessoas físicas conectam câmeras à plataforma do programa.
- Análise das imagens. A plataforma da SSP-SP processa as imagens com IA. Segundo o SBT News, ela trabalha com leitura automática de placas e reconhecimento facial.
- Uso das informações. Os resultados servem só para segurança pública: prevenção, resposta rápida e produção de provas digitais, como prevê o decreto.
- Acesso controlado. Cada usuário do programa recebe um perfil de acesso limitado à sua função, também segundo o decreto.
Dois termos aparecem muito quando se fala do programa. Leitura automática de placas, ou LPR, é a tecnologia que identifica a placa do veículo na imagem e a transforma em texto. Reconhecimento facial é a tecnologia que compara um rosto captado pela câmera com uma base de imagens.
Muralha Paulista na operação do dia a dia
Muita gente procura saber como o Muralha Paulista funciona na operação. A resposta curta: toda a operação do programa fica com o Estado. Análise das imagens, alertas e investigações acontecem nos sistemas e equipes da SSP-SP.
Para quem colabora com câmeras, quase nada muda na rotina. A câmera continua gravando e funcionando para o dono, que segue com o controle do próprio sistema. A diferença é que o programa também passa a receber aquelas imagens.
Quem colabora não acessa os produtos do programa. Isso está no Decreto 68.828/2024 e foi reforçado pela SSP na abertura do cadastro de câmeras privadas, em setembro de 2025.
Quem participa do Muralha Paulista
O programa tem dois grandes grupos de participantes: o poder público municipal e os colaboradores particulares.
Municípios e órgãos públicos
Prefeituras e órgãos públicos municipais entram no Muralha Paulista por convênio ou termo de cooperação com o Estado. Segundo o SBT News, 613 municípios iniciaram a adesão e 231 já estão totalmente integrados. Esses municípios somam cerca de 80% da população paulista, ou 37,6 milhões de pessoas.
Pessoas físicas e empresas
Pessoas físicas e empresas podem participar de forma voluntária, sem receber pagamento do Estado. O cadastro de câmeras privadas foi aberto em setembro de 2025, segundo o Jornal Cruzeiro do Sul. As regras principais são:
- Câmera voltada para a via pública, como rua, calçada ou avenida.
- Cadastro com conta gov.br, informando o fabricante da câmera e o endereço de instalação.
- Aceite do termo de adesão, que autoriza o uso das imagens pelo programa.
- Validação pelo Estado, feita pela Coordenadoria de Gestão da Informação (CGI), com aviso por e-mail.
É possível cadastrar uma câmera ou várias de uma vez. Segundo dados da SSP divulgados pela Cruzeiro FM, em setembro de 2026 eram 443 colaboradores, entre cidadãos e empresas, em 216 municípios.
Entre os colaboradores privados estão comércios, condomínios, indústrias e empresas de vários segmentos. Também participam centrais de monitoramento, que reúnem câmeras de muitos clientes e conseguem levar um volume grande de câmeras ao programa.
Uso dos dados e LGPD no Muralha Paulista
A proteção de dados é uma das diretrizes do programa, e não um detalhe. O decreto fala em "compromisso incondicional" com a LGPD, a Lei 13.709/2018, que regula o uso de dados pessoais no Brasil.
Na prática, isso aparece em quatro regras:
- Uso exclusivo para segurança pública. As imagens e análises não podem ter outra finalidade.
- Perfis de acesso restritos. Cada usuário do programa vê só o que a sua função exige.
- Colaborador sem acesso aos resultados. Quem cede as imagens não acessa as análises do programa.
- Autorização formal. O colaborador aceita um termo de adesão antes de qualquer imagem ser usada.
A exigência de câmeras voltadas para a via pública também tem relação com privacidade. Áreas internas, como garagens e corredores, ficam fora do programa.
Números oficiais do Muralha Paulista em 2026
Os dados mais recentes foram divulgados pela SSP em setembro de 2026 e publicados pelo SBT News. Os principais são:
- Mais de 125,5 mil câmeras e sensores conectados em todo o estado.
- 613 municípios iniciaram a adesão, e 231 estão totalmente integrados.
- Cerca de 80% da população paulista vive em municípios integrados.
- Desde maio de 2024, o programa está relacionado a mais de 22,5 mil prisões e à recuperação de cerca de 2 mil veículos.
No mesmo balanço, a SSP informou 9.951 roubos de veículos de janeiro a julho de 2026. É uma queda de 34,5% sobre o mesmo período de 2025 e o menor número desde 2001. Na divulgação, o governo associa esse resultado ao apoio do Muralha Paulista.
Como a Monuv se conecta ao Muralha Paulista
A Monuv é uma plataforma de VMS em nuvem, sigla para sistema de gestão de vídeo. Ela reúne câmeras e gravadores de diferentes fabricantes num só lugar, sem servidor local. A Monuv é integrada ao Muralha Paulista.
A integração envia ao programa o vídeo ao vivo das câmeras que você escolher e as placas lidas pela IA da Monuv nessas câmeras. O cadastro é feito em lote, com uma planilha gerada pela Monuv no formato pedido pelo programa. Todas as etapas estão no guia de integração com o Muralha Paulista.
Para quem tem muitas câmeras, a integração traz três ganhos:
- Escala. Centenas de câmeras podem ser enviadas de uma vez, sem cadastro manual câmera por câmera.
- Controle. Você decide exatamente quais câmeras participam do programa.
- Continuidade. O Conf.IA, recurso de IA da Monuv, avisa quando uma câmera fica sem conexão ou com a imagem obstruída.
A Monuv compartilha as imagens e as placas lidas para apoiar a segurança pública, mas não recebe retorno do programa. Análises, alertas e investigações ficam com o Estado. O mesmo VMS também se conecta a outros programas públicos, como o Smart Sampa, da Prefeitura de São Paulo.
Perguntas frequentes
- O que é o Muralha Paulista? É o programa do Governo de São Paulo que reúne câmeras públicas e privadas numa plataforma de segurança pública. Ele foi criado pelo Decreto 68.828/2024 e é coordenado pela SSP-SP.
- Como funciona o Muralha Paulista? Câmeras de prefeituras, empresas e moradores são conectadas a uma plataforma do Estado. Essa plataforma analisa as imagens com IA, incluindo leitura de placas e reconhecimento facial, para fins exclusivos de segurança pública.
- Quem pode participar do Muralha Paulista? Podem participar municípios, por convênio, e pessoas físicas e empresas com câmeras voltadas para a via pública. O cadastro é feito com conta gov.br e aceite de um termo de adesão.
- O Muralha Paulista paga por câmera cadastrada? Não. A participação de particulares é voluntária e sem compensação do Estado, como prevê o decreto que criou o programa.
- Quem cede câmeras recebe os alertas do Muralha Paulista? Não. Os colaboradores não acessam os produtos do programa, e as análises ficam restritas aos perfis autorizados do Estado.
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